Dualidade

Published by

on

Nós somos seres de dualidade. Não apenas nós, o universo é formado por dualidades. Para tudo existe um oposto, para equilibrá-lo. Sem o oposto, não há o equilíbrio. E por mais que esse equilíbrio não seja estático, pois vivemos em caos, ele existe. É como uma balança que está sempre em movimento. Ela está sempre pendendo um pouco mais para um lado do que para o outro. E o nosso trabalho é constantemente tentar equilibrar todas essas balanças, enquanto criamos a vida em meio a esse caos.

Mas o que eu percebi recentemente, que achei muito interessante, é uma dualidade que achei dentro de mim. Talvez ela exista em muitas pessoas. Muito provavelmente ela existe em muitas pessoas. Esse negócio de a gente achar que “ah, mas isso só acontece comigo”, é apenas mais uma ramificação dessa dualidade.

E que dualidade é essa?

Eu sempre me denominei insegura. “Ah, eu sou muito insegura”, “Ah, minha autoestima é muito baixa”, “Ah, a minha percepção de mim mesma é muito distorcida”. Não estou dizendo que tudo isso não seja real. É. Tudo isso é bem verdade mesmo sobre mim. Eu constantemente acho que não sou boa o suficiente e que tem muita gente no mundo que é muito melhor que eu. E provavelmente tem mesmo. Estou no caminho de me comparar só com quem eu era no passado e não com as pessoas ao meu redor. Mas é difícil, né? A gente se compara o tempo inteiro com todo mundo. A gente foi criado para se comparar o tempo inteiro com todo mundo. Enfim, não é sobre isso que eu vim falar e estou divagando.

O que eu percebi é que lá no fundo dessa insegurança, lá no fundo dessa sensação de não ser suficiente, de achar que os outros são melhores que eu, tem uma arrogância muito profunda e enraizada. Ué, mas como assim? Assim.

Lá no fundo, eu acho que na verdade eu sou tão boa quanto, ou até melhor, que essas pessoas. Mas não estou sendo vista. Mas por algum motivo as pessoas não percebem todo esse meu potencial. Lá no fundo, no fundo, eu acho que eu sou incrível. Eu acho que eu sou realmente muito boa. Mas eu me sinto insegura porque não tenho validação externa.

Olha o problema disso aí.

Eu passei uma vida achando que eu não era boa o suficiente porque na minha cabecinha eu só seria boa o suficiente quando as pessoas vissem, reconhecessem e me dissessem isso. Enquanto isso, no fundo, eu sempre soube do meu valor e ficava amargurada e rancorosa porque as pessoas veem e reconhecem o valor dos outros e não o meu. E eu sou tão arrogante que eu acho que, na real, eu tenho tanto ou mais valor quanto essas pessoas. E aí isso acaba se demonstrando em mim como uma sensação de insuficiência, quando na verdade, eu só tô é muito puta porque não tem ninguém me vendo, me notando e percebendo a mulher incrível que eu sou. E aí eu escolho acreditar que já que não tem ninguém vendo todo esse potencial enterrado, ele não existe mesmo e realmente todas as outras pessoas devem ser melhores que eu.

MAS ELAS NÃO SÃO.

Não estão dizendo que elas são piores ou que eu sou melhor. Minto. Tô dizendo que eu sou melhor sim. Mas que eu sou melhor pra mim. Só eu posso ser eu. Então não tem como outra pessoa ser melhor que eu para mim, para a minha vida. Eu sou a única pessoa que pode viver a minha vida. Eu vim para esse plano para fazer isso. Então, independentemente de quem tá vendo, de quem tá percebendo isso ou não, eu sou o melhor para mim. Quer dizer, posso não ser ainda, mas tenho o potencial para ser. Porque a minha vida é minha. E só eu posso viver o que eu tenho para viver.

É o que a Ananda fala: a realidade é perfeita (ou algo assim, estou parafraseando). O que é real é o melhor, porque é o que a gente tem. Quem eu sou é o melhor que eu tenho, porque é quem eu sou, porque é a pessoa que vai viver a minha vida.

Então eu tenho mais é que olhar para a totalidade de quem eu sou, todas as coisas que eu gosto, as que eu não gosto, as que estão escondidas, e usar todas elas para viver essa vida que eu tenho agora. Porque essa é a única oportunidade que eu tenho de viver essa vida.

Então chega. Chega de esperar os outros me dizerem o que eu valho ou o que eu não valho. Eu vou olhar para mim mesma e eu vou descobrir meus valores, melhorar o que eu acho que preciso melhorar e seguir minha vida. Quem tem que perceber meu valor sou eu. Quem tem que mostrar meu valor sou eu. Quem precisar percebê-lo, vai perceber.

Que assim seja, e assim se faça.

Uma resposta a “Dualidade”

  1. Avatar de adcarrega

    Republicou isso em REBLOGADOR.

    Curtir

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora